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Carpinteiros tradicionais alemães visitam Pomerode e compartilham seus saberes

Trio chamou a atenção pelo uso do traje característico. O grupo chegou ao Brasil em 12 de janeiro e passou por várias cidades antes de chegar a Pomerode. Mais próximo ao Carnaval, os três carpinteiros irão ao Rio de Janeiro, para aproveitar a festa

972151ded36971ece61d8b59aab635cc.jpg Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

Quem circulou pelas ruas de Pomerode, nos últimos dias, certamente viu caminhando pela cidade um trio de rapazes com roupas diferentes, que mais pareciam artistas. Marius Kleisa, Paul Schwebe e Jörg Noriss fazem parte de um grupo tradicional de carpinteiros conhecido como Wandergesellen auf der Walz, que preservam a tradição mais antiga ainda vivida na Alemanha.

Nesta escola de carpintaria, eles aprendem as técnicas milenares e, depois, são desafiados a viajarem o mundo, divulgando seus saberes e aprendendo coisas novas. A opção de vir para o Brasil foi devido à vontade que os três nutriam de conhecer o Carnaval, mas como Pomerode é uma cidade de origem alemã e que preserva muitos aspectos desta cultura, vieram para cá, onde estão hospedados na casa de Klaus Ahrendt, e em busca de trabalhos.

O trio chegou ao Brasil em 12 de janeiro e passou por várias cidades antes de chegar a Pomerode. Quando estavam em Curitiba, um amigo de Klaus, que sabia do seu conhecimento do alemão, perguntou se ele poderia hospedar os três. O pomerodense não só ofereceu moradia aos carpinteiros, como está ajudando-os a encontrar algum trabalho temporário, que é a maneira como trabalham.

“Nossa tradição é secular. Estudamos três anos e, depois, saímos pelo mundo para socializar, aprender novas técnicas e colocar em prática o que aprendemos na escola”, relatam.

Marius, Paul e Jörg contam, também, que sua tradição prevê que, após concluírem a formação, precisam ficar longe de casa por um raio de 60 quilômetros, durante três anos, procurando trabalhos. Isso eles fizeram em outros locais do mundo e agora estão fazendo aqui, assim como aproveitar um tempo como turistas.

Os três carpinteiros foram recebidos pelo prefeito Ércio Kriek e, junto dele e de membros do Iphan de Pomerode, visitaram algumas obras, para poder dar a opinião deles, baseados em seu conhecimento. Aqui, também visitaram a Dreschlerschule, a Escola de Tornearia, o centro da cidade e algumas construções enxaimel.

“Gostamos muito da cidade e fomos muito bem recebidos pelas pessoas daqui. A cidade também reflete muito a nossa cultura, a nossa cidade, e nos sentimos bem à vontade. A nossa expectativa é encontrar um trabalho aqui e isso é algo que Klaus está nos ajudando muito”, ressaltam.

Mais próximo ao Carnaval, os três carpinteiros irão ao Rio de Janeiro, para aproveitar a festa e, no dia 13 de março, retornam à Alemanha.

Os “Wandergesellen”

Os carpinteiros formados por esta “escola” fazem qualquer tipo de trabalho relacionado à construção, principalmente, com a madeira. Na hora de saírem pelo mundo para ganhar experiência, é feita uma festa de despedida e furam a orelha com um prego e um martelo.

Outro ponto importante sobre a tradição é que eles precisam cumprir as normas estabelecidas, como por exemplo, não sair de casa sem usar o traje, independentemente do local para onde estão indo; não usar nada relacionado à tecnologia, exceto câmera fotográfica, para poder registrar as viagens e comprovar as experiências e não ter como objetivo o acúmulo de dinheiro.



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